PROFESORA UNIVERSITARIA - ESCRITORA - INVESTIGADORA
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Comentarios sobre textos quase inéditos de Viviana Marcela Iriart / Dra. Susana D. Castillo, San Diego State University, outubro 2009






Desde o estreio de  Porta Aberta ao Mar (Puerta Abierta al Mar, 2007, Venezuela), com Rosalinda Serfaty e Fedra Lopez, a criação literária da jornalista argentina-venezuelana  Viviana Marcela Iriart tem começado a se conhecer de maneira diferente. O sucesso da posta em cena de Porta Aberta..., produzida por Benjamín Cohen  no Ateneo de Caracas, resultou um fato fortuito para pôr de releve a existência duma série de textos não só teatrais  senão também romancistas  e poéticos de Iriart.  A publicação destas obras por uma editorial reconhecida está ainda por acontecer mas graças  à comunicação cibernética, os fragmentos de suas obras e dados específicos sobre sua diligente e sistemática labor estão sendo apreçados num círculo internacional cada vez mais respeitável. É suficiente a incursão pelas seções deEscritoras Unidas y Compañía para captar a entrega e compromisso desta criadora.  


De seus textos merece especial destaque seu romance  Longe de Casa, (Lejos de Casa, 1983) já que constitui o trabalho germinal de toda sua produção. Nela, uma jovem estudante argentina, expatriada pela ditadura militar, projeta a visão do ambiente que abruptamente dá-lhe se ao incursionar em outras esferas culturais (primeiro na Venezuela e depois nos Estados Unidos), vivências estas que deixarão uma dilacerante pegada de ressonâncias múltiplas na protagonista. É importante notar que Longe de Casa, de conteúdo autobiográfico, está emoldurado dentro das cruciais lutas pelos direitos civis que brotaram irrefreáveis em todo o hemisfério. A marca do exílio, esse desarraigamento pelo que já não se está no seu lugar em nenhum lugar, será uma constante predominante nas criações de Iriart, projetada em variadas explorações estilísticas e diversos gêneros que irão desde uns “quase” poemas, como os chama sua autora, até seu romance   Uma Certa Olhada (Una Cierta Mirada ), fluida e transgressora, passando por uma lisa adaptação teatral de uma entrevista a Truman Capote. 

 

 



Estas folhas quase inéditas de Iriart (sua publicação privada não tem passado de cem exemplares) giram ao redor dos temas da perda, o desencontro, a repressão de regímenes ditatoriais, a violência institucional e, sobretudo, o desconcerto ante os efeitos alienantes da mesma nas relações humanas.  O tema da paixão, como eixo de suas criações, surgirão com maior relevância mais tarde concordando com a atitude renovadora e irreverente que caracteriza a escritura de Iriart.

Dentro da produção poética, a autora explora com intensidade e com soltura vários registros. Assim, se percebem achados metafóricos nos lampejos ternos e evocativos que afloram em poemas tais como os incluídos em  A Casa Lilás, (
La Casa Lila, romance 2002).



Passam três meninos pequenos montados num velho cavalo grande
Passa a menina que fui indo à escola em sulky.
Os meninos riem, são felizes.
Também eu o era, então.
Param-se diante duma amora orgulhosa de frutos
e as mãozinhas volteiam no ar, desesperadas.

O cavalo pasta, tranquilo, indiferente a seus pulos.


A amora baixa suas ramas para amamentar


aos meninos com sua leite negra.

  




Mas há também um tom fustigador em expressões poéticas recentes, como Este país (2009), onde sua linguagem se torna mais direta e sua mensagem grave. 


Este país cheira a sangue.
Caminho sobre seus mortos.
O ranger  de seus ossos fere.
Este país, tão formoso, cheira a morte.
Este país é minha morte. 


A autora revela em seus artigos jornalísticos (e em seu blog) as influências literárias que tem afetado sua obra criativa assim como os ícones das últimas décadas que têm despertado seu interesse.  Ambos os aspectos vão a se fundir de maneira decisiva em sua produção literária. Dalí que não surpreenda que Iriart, quem admira a figura e obra de Truman Capote, elabore (junto a Leonardo Losardo) a recriação teatral duma entrevista de tão controvertida personagem. O texto original em questão é “Voltas noturnas ou sugestões sexuais de dois gêmeos siameses” material incluído em  Música para Camaleões (Music for Chameleons, 1975), dedicado a Tennesse Williams.
A adaptação de Iriart e Losardo, Truman (1997), recolhe com fidelidade as reflexões e dúvidas do imprevisível escritor numa entrevista que ele fizera-se.  Disse-se que Andy Warhol, quem então dirigia a revista “Interview”, lhe propôs a Capote o realizar uma série de entrevistas às grandes figuras do momento num afã de motivar a produtividade deste. “Voltas...” é uma dessas entrevistas.  Sem pensá-lo duas vezes, Capote se entrevistou a se mesmo porque tinha consciência do lugar de honra que sua figura tinha chegado a adquirir dentro do núcleo social e intelectual do momento. 

O aporte de Iriart e Losardo em Truman consiste na hábil construção de uma terceira personagem: Truman, aos sessenta anos, encarando o fim de sua assombrosa trajetória vital. Assim, a esta terceira personagem adjudicam-se lhe os parlamentos mais complexos e incisivos, mais sagasses e esclarecedores. Bem se tem assinalado que a vida do autor americano esteve cheia de sucessos, notoriedade e escândalos (causados pelas adições e sua aberta homossexualidade) com os que Truman tratava talvez de compensar seu abandono infantil, causado pelo suicídio de sua mãe, circunstância que o corroía sem trégua. A isto se adicionaria um sentido de culpabilidade que surgiria em relação com a obtenção e uso do material medular de  A sangue frio, obra que logrou sua consagração literária definitiva. Em efeito, a crítica considera seu “romance de não ficção” “In Cold Blodd”, uma obra transformativa da concepção da reportagem.  Bem anuncia a contracapa do livro que sua prosa é “de um grão brio estilístico” associado só com as grandes ficções. De fato, o recente filme realizado em Hollywood sobre a atormentada e genial vida de Truman Capote registra o autoquestionamento do autor ao utilizar as confidências de dois réus   involucrados num afamado crime. 

Os acusados foram executados seis anos mais tarde de suas conversações com Capote, lapso de tempo que o autor teve que esperar para publicar dito material como parte inovadora de sua reportagem. É de supor que isto contribuiu a que os últimos anos de sua vida converteram-se em entradas e saídas de hospitais e programas de reabilitação. Iriart e Losardo, conscientes das ressonâncias explosivas recolhidas em “Voltas noturnas..” inserem a adaptação teatral ao final da travessia de Capote logrando com isso agregar dinamismo   ao conflito do texto original. A obra fecha com um tango na voz de Susana Rinaldi, outro ícone que Iriart entesoura. 

A paixão como tema central do texto se dá claramente em  Uma Certa Olhada (Una Cierta Mirada, 1994) onde a autora disseca o mistério duma atração irrefreável entre suas duas personagens centrais.   De maneira mais que oportuna, Iriart nos relata, passo a passo e desde as páginas tomadas dos diários do casal, os altibaixos pelos que atravessam ambas as personagens até assegurar-se da correspondência emotiva.  O recurso de expor os dois diários, em forma alterna, elimina a necessidade dum narrador formal para o relato e o que é mais importante, produz um tom de proximidade  e intimidade entre o texto e os leitores cúmplices. 

É fácil advertir a admiração de Viviana Marcela Iriart pela obra da escritora uruguaia Cristina Peri Rossi, cuja produção tem circulado com muito sucesso  depois da etapa literária do “boom”.  E esta afinidade não é casual. Suas preferências criativas acercam-nas como no caso específico de Uma Certa Olhada. Com ela comparte, em grande medida, sua eleição do amor obsessivo. Com ela, além disso, coincide na utilização dos gêneros literários sem rigidez, na expressão dum erotismo franco e desfrutável, em seus ideais pela igualdade da mulher. É de assinalar  que em sua trajetória vital, ambas escritoras tem sido afetadas de raiz por ditaduras repressivas e levam com elas a ruptura do exílio. 

A trama do romance consiste na interação de duas mulheres, Gal e Francesca, quem se resistirão inicialmente a uma relação sentimental pela estranheza que produz em Gal uma interação lesbiana e pelo temor de ambas ante a reação preconceitada do ambiente social. O texto é curto, ligeiro, ágil e ainda lúdico, projetado em traços impressionistas. Há pinceladas luminosas de ternura e de libido misturadas com tons cinza de pesadelos, vestígios de violência que tem ancoradas  na memória, e da confrontação com os preceitos religiosos e sociais desse presente.  A linguagem se mantem fluida de principio ao fim e se faz uso das metáforas de tipo sensorial em profusão para projetar o clima de erotismo que irradiam suas personagens. 

Tanto na criação poética como na concepção de suas obras teatrais e sua produção de romances Viviana Marcela Iriart vem definindo cada vez com maior rigor a temática e a linguagem idônea para suas válidas explorações literárias. É de esperar que estes textos tenham pronta acolhida nas casas editoriais comerciais para lograr a difusão ampla que merecem. 


©Dra.Susana D. Castillo

San Diego State University

Outubro 2009



Tradução ao português: 




LUTO EN LA ESCENA VENEZOLANA: ELIZABETH SCHON /Latin American Theatre Review, Fall 2007


 

“Con mi teatro trato de expresar– de una manera muy profunda y muy verdadera- cómo se me da la vida: a mí se me da como una inconexión…” Elizabeth Schon

 Los medios de comunicación en Venezuela muestran de manera inequívoca la consternación causada en los círculos artísticos por la muerte de la poeta, dramaturga y ensayista Elizabeth Schon (1921-2007) acaecida en Caracas el 16 de mayo del año en curso. Elizabeth, amante y estudiosa de la Filosofía y la Literatura, escogió la interiorización del ser como puente para salvar “la inconexión” que se le daba en su diario vivir. No es casual que sus personajes fueran entes en ansiosa búsqueda de raíces esenciales. De ahí que no es de extrañarse tampoco que sus trabajos primerizos en el teatro le trajeran el titulo de la “Ionesco venezolana,” hecho este que sorprendía a la autora ya que ella no había leído al dramaturgo del Absurdo para entonces. Asimismo, sus primeros libros de poesía - como EN EL ALLA DISPARADO DESDE NINGUN COMIENZO que ella misma describía como “un extraño y pequeño libro pero plenamente sincero” - contenían en profundidad sus reflexiones existenciales, poesía críptica que fue decantando hasta convertirla en diáfanas y cristalinas metáforas en la prosa poética de EL ABUELO, LA CESTA Y EL MAR, y mas recientemente en sus poemarios VISIONES EXTRAORDINARIAS y EL BESO, LA FLOR Y EL ALMA, entre otras creaciones.

 


 Además de su exploración existencial, Elizabeth manifestó en su teatro una preocupación germinal sobre la condición de ser mujer en un entorno social específico. En la breve obra AL UNISONO, donde una pareja en el banco de un parque decide su futuro, es el personaje masculino el que tiene la palabra mientras que su “ella” se limita a decir el monosílabo “Si!” en diferentes tonalidades, como eco complaciente a las decisiones tomadas a priori. Esta misma actitud se recrea amplificada en EL INTERVALO, Y JAMAS ME MIRO, LA ALDEA y LO IMPORTANTE ES QUE NOS MIRAMOS. MELISA Y EL YO. En ellas, la escritora hace uso también de la simultaneidad de los estados de conciencia y el fluir ininterrumpido del tiempo acorde a teorías bergsonianas. Sin embargo, los homenajes póstumos en los medios de comunicación realzan no solo a la creadora sino a su presencia placida y calida, su sonrisa acogedora y transparente, su mirada azul y su expresión lucida, su asombro ante cada instante de la vida. Los que tuvimos la suerte de conocerla y los que recibimos su apoyo anchuroso -ya que nos abrió la puerta de su afecto, de su “Quinta Ely” y de Venezuela - nos sentimos afectados de raíz con su desaparición.



© Susana D. Castillo
San Diego State University
Latin American Theatre Review 
 Fall 2007

EL MEJOR DE MIS VIAJES






Durante el mes de octubre del año próximo pasado el Jurado del Concurso Literario FUNDARTE, encargado de seleccionar la obra ganadora en la Categoría Teatro Infantil 2008, dio a conocer su decisión.
EL MEJOR DE MIS VIAJES de Glener Morales fue seleccionada de manera unánime por el profesor Orlando Rodríguez, el crítico Carlos E. Herrera y el director Alberto Ravara, miembros todos reconocidos ampliamente en el medio teatral venezolano. Según la nota incluida en la contratapa de la publicación (Fundarte, 2008), en dicho texto se encuentra "un habilidoso tratamiento del absurdo perspicaz, armado de situaciones inteligentes, trabajo del espacio y la capacidad de seleccionar personajes que conforman un microcosmo social que parangona un segmento urbano con manejo de diálogos ágiles y plenos de humor."
Por su parte, el critico y director teatral Paúl Salazar en ENcontARTE, Año 4, apunta que EL MEJOR....es una obra afortunada ya que el joven autor Morales "ganó, publicó y escenificó su obra, todo en cuestión de semanas."¨El tema de la pieza es la defensa de los sueños propios, en este caso simbolizada en la creencia de la magia, a pesar de la oposición del entorno "real". El personaje central, Ramón (niño-adolescente), se arriesgará a buscar a su abuelo contando para su travesía con la ayuda o acecho de múltiples personajes lúdicos que conformarán un mundo dramático fantasioso y lleno de luminosidad. El Abuelo, muerto ya, había dejado sembrado en el personaje niño su creencia en la magia y en su opción de aferrarse a ella para salir adelante en su trayectoria vital. El Unicornio Azul, el Duende, el Osopolar, el Hada de los Sueños y otros más, serán los entes que harán posible, al fin, el re encuentro de Ramón con el Abuelo quien ahora radica en Utopía. Reafirmado en sus creencias, Ramón regresa jubiloso al punto inicial de la aventura (el retorno al hogar), con la determinación contundente de seguir sosteniendo sus sueños para proyectarse al futuro.


Glener Morales


El Concurso Literario FUNDARTE y la publicación de los textos por el Fondo Editorial Fundarte, Alcaldía de Caracas, constituyen "la concreción de estímulos a los tantos valores literarios que son parte de nuestro quehacer cultural." (Contratapa de EL MEJOR...,). De igual manera, el 1o. de diciembre en las instalaciones del Museo del Teclado, durante el bautizo de las nuevas publicaciones, el presidente de Fundarte Oscar Acosta explicó que éstas "hacen una contribución importante para el panorama editorial, pues son publicaciones de mucha valía e interés, tanto para la gente que se dedica al arte dramático, como para el público en general." A juzgar por recientes exploraciones teatrales que realiza el joven escritor Morales, lleva a su haber una media docena de piezas, el propósito de este Concurso Literario está cumpliendo su cometido.



Susana D. Castillo
San Diego State University, San Diego, California
Julio 2009

ALMA POR ALMA: PRÓLOGO







Alma Ingianni

 Con creciente interés he repasado el texto de “ALMA POR ALMA”. Sus páginas, enhebradas prolija y tiernamente por el director Rubén Rega, forman un valioso documento que proyecta la destellante trayectoria de Alma Ingianni, apasionada y controvertida actriz uruguaya que impactó (en escena y fuera de ella) a todo quien la conoció.

El acierto del texto, amén del valor intrínseco del estudio, es la multiplicidad de enfoques sobre el tema central y la orquestación armoniosa de los mismos en un afán de plasmar - en la memoria del tiempo- la incandescente figura de la Ingianni desde variados ángulos. Así, Rega nos lleva de la mano para darnos un esbozo biográfico de tono intimista que predominará en gran parte de la narración y que dará unificación al texto en su totalidad. Hay, por ejemplo, momentos candorosos como los referentes a los inicios de la actriz y más adelante, instantes fugaces de viajes - capturados al vuelo - y vívidas memorias - gestos, ademanes, actos espontáneos, registrados como por una lente fotográfica - durante sus giras internacionales y sus presentaciones en escenarios lejanos. Esa voz va cobrando vigor a medida que la Ingianni, exiliada no sólo de la dictadura militar de su país natal sino también de la de Chile y Argentina, llega en la década de los setenta a Venezuela por azar, según anota la dramaturga Viviana Marcela Iriart en una sorprendente anécdota aquí incluida. Fue el “fatum” de Alma no sólo llegar a Venezuela sino involucrarse directamente en una institución cultural del renombre del Ateneo de Caracas. Y no le será fácil incursionar en ese medio. Será un volver a empezar... Pero su garra, su extraño magnetismo, su disciplina y su tenacidad, demostrados en uno y otro programa televisivo o proyecto teatral caraqueño empezarán a abrirle las puertas del éxito. Su repertorio, por eso, llegará a ser variado y exquisito. Sin embargo, según la opinión de la misma actriz y la de la crítica más exigente, la apoteosis de su habilidad interpretativa se pondrá de relieve cuando surge el binomio Rega-Ingianni. El autor es muy discreto sobre este punto por ser un creador muy pudoroso, pero hay suficiente documentación que atesta a esta aseveración nuestra. “CASTA DIVA”, de Ethel Dahbar y “ALMA POR ALMA” de la misma Ingianni/Rega (1984), incluidas en la presente edición, fueron dos espectáculos unipersonales aclamados sin reserva por la crítica. “Un regalo del Arte” les llamaron. “Impecable y sugestiva mise en scène,” dijo al unísono la crítica. Más específicamente, el dramaturgo y psicólogo Johnny Gavloski resumiría este logro en una frase: “Alma por Alma fue la obra que definió su carrera. Quizá su vida.” En realidad, el libro capta ese insólito proceso de dos seres al encontrarse, descubrirse y reconocerse a través de una sensibilidad estética afín. Tal parecía que esta actriz, de dilatada trayectoria, hubiese descubierto nuevas dimensiones en sus conflictivos personajes bajo la sensibilidad exquisita de Rega. Así lo declaraba ella en repetidas entrevistas. “Reconozco que soy fuerte de carácter, pero Rega ha logrado manejarme como quiere, insinuándome cosas que él supo desde el principio y que yo descubro ahora.” Por su parte, Rega empezó su experiencia como director teatral al asumir la dirección de “CASTA DIVA” para lo cual consideró necesario dimitir sus funciones administrativas en el Círculo de Críticos teatrales de Venezuela, CRITVEN. Un sincronismo creativo fortuito que dejaría profundas huellas en ambos artistas y que se proliferó en proyectos que ambos planearon en complicidad a través de los años y la distancia.
El tono intimista del narrador de “ALMA POR ALMA” se diluye un tanto para dar paso a otras voces: la de los amigos y compañeros que evocan instantes compartidos con la Ingianni. Aún más, y esto sí que es crucial, leeremos las declaraciones de la misma Diva en una breve sección dedicada a sus desenfadadas e insólitas declaraciones a la prensa.

El texto adquiere un tono evaluativo cuando el autor cede la palabra a la Crítica. Para ello presentará una variada selección de reseñas organizadas cronológicamente. Interesante polifonía ésta en la que se escuchan estruendosos aplausos, alabanzas y una que otra nota discordante. La llamaron Diva, acercándola inconscientemente al sentido etimológico de perfección y divinidad que conlleva el término, para referirse a ese especie de encantamiento o hechizo que parecía emanar de sus creaciones. Y la llamaron también diva, con «d» minúscula, cuando presenciaron sus exabruptos y sus protestas hacia todo lo que ella consideraba injusticia. Nada de esto es incongruente. Por el contrario. Nos parece un acierto tener todo este material crítico así organizado. La personalidad misma de la Ingianni fue compleja y conflictiva, un rasgo que se reveló desde que se inició en su país natal donde llevaba un estilo de vida que fascinaba y extrañaba a la vez. Por eso, al leer los comentarios de su carrera, ahora que el círculo se ha cerrado, nos queda la polifacética imagen de una libérrima Alma: genuina, espontánea, fuerte, audaz, bella, ingeniosa, franca, enigmática, desenfadada, temperamental. Su manera frontal y directa de abocar las situaciones, su tono fuerte y contundente al resolver la vida sonaba tal vez a prepotencia. Pero de allí salían también «sus queridas otras,” las reencarnaciones que tanta fascinación y arrobamiento causaron en los escenarios del mundo por varias décadas. Alma, la que no tuvo formación teatral, se daba -visceral e intuitivamente- en toda su intensa desnudez en cada uno de sus roles. Es de especular que su sensibilidad era tal que podía comunicar una carga electrizante de auténtica emotividad a una muchedumbre. Intuitiva, sagaz, Alma podía salir y entrar de sus personajes, extasiando a su público y desconcertándolo a la vez, al dejarle al descubierto quizá resquicios del mundo interior que éste ignoraba

Para concluir, es indispensable recordar que el hecho teatral está dado dentro de un contexto específico. Y de ahí que este homenaje a la Ingianni esté enmarcado apropiadamente por un esquemático recuento de los procesos sociales. Los precisos análisis de Rubén Rega junto a la lúcida visión de la crítica Sonia Murillo-Martin dan buena cuenta de la situación política de América del Sur durante las últimas tres décadas del siglo XX y en especial, de los regímenes militares en los países del Cono Sur con el consiguiente exilio masivo. Asimismo, Rega menciona -con toques impresionistas- el estado de alucinación que presentaba la sociedad febril de Venezuela, generoso país receptor de la diáspora sureña. Nuestros fuertes y antiguos vínculos afectivos con el anchuroso país de Venezuela nos convierte en un testigo poco parcial para comentar esta compleja etapa de dolorosas y conflictivas situaciones surgida a raíz de la llegada de la diáspora del Sur. Sólo es digno recordar que la condición alienante del venezolano de ese entonces tenía raíces muy profundas que podrían trazarse a sus circunstancias históricas mismas, acentuadas - eso es obvio- por la fortuita aparición del petróleo en 1914 en las riberas del lago Maracaibo que se abriera, como bien ha señalado Arturo Uslar Pietri, “inmenso en el aire como una palmera de azabache... como una inmensa rúbrica de tinta que firmara sobre el cielo un decreto de revolución.” El surgimiento vertiginoso de la industria petrolera violentó el proceso transformacional de la sociedad venezolana. Y esa falta de transición o proceso evolutivo es lo que más asombraba a cuanto exiliado llegaba, en la etapa mencionada, a esta pródiga y anchurosa tierra. Las secuelas emocionales del exilio, el proceso de adaptación, fueron también vivencias de Alma Ingianni. “Todo ha sido posible porque logré integrarme a Venezuela. Amo y respeto a este País como a mi misma patria. Son tantas las cosas que uno tiene que pasar para adaptarse, satisfacciones y sufrimientos y una inmensa alegría por haber superado el costo de la adaptación. Pienso que pronto seremos una Sudamérica integrada....” Tal vez el sueño de Alma tardará en realizarse pero la amplia generosidad de Venezuela se comprueba con cada extranjero que decide quedarse a pesar de que los obstáculos de retorno a otros lares hayan desaparecido. Alma Ingianni murió en la ciudad de Caracas una mañana de abril del 2004 dejándonos con ello más desprotegidos ante nuestra orfandad existencial.


Susana D. Castillo
San Diego State University, California, Estados Unidos
2007

Prólogo del libro "Alma por Alma" de Rubén Rega, edición del autor, Uruguay 2008,


UNA HUELLA EN EL TEATRO VENEZOLANO



Esther "Dita" Cohen,
fundadora y presidenta del
Espacio Anna Frank
y gran promotora de la cultura venezolana.


Exhibición itinerante y Proyecto de Investigación Teatral en Caracas


El desarraigo es un tema recurrente en el desarrollo del teatro latinoamericano ya que va íntimamente vinculado a su búsqueda de identidad. En la Venezuela de hoy, cuyo proceso histórico atraviesa inusitados cambios, la exploración de esta temática es aun más urgente. De a.C. que es digno de reconocimiento el hecho de que la institución Espacio Anna Frank se haya impuesto la tarea, de gran envergadura y sin precedentes, de rescatar las huellas de los hacedores del teatro venezolano a través de una muy documentada y singular exhibición.

UNA HUELLA EN EL TEATRO VENEZOLANO fue inaugurada en el Ateneo de Caracas en mayo del presente año. La Muestra tiene caracter itinerante con el objeto de llegar hasta otras instituciones culturales de la capital así como a ciudades del interior y países circunvecinos. La exposición se despliega en grandes baúles - aludiendo a los primeros comediantes que se desplazaban por pueblos con su carga lúdica - y representan cuatro periodos de la evolución histórica venezolana a partir de 1945 al mismo tiempo que se proyectan sus correspondientes hallazgos en el desarrollo teatral.

Durante tres años, de manera rigurosa, un equipo de profesionales del Espacio Anna Frank - bajo la coordinación general de Ilana Becker - se dio a la tarea de revisar y seleccionar la documentacion del acontecer escenico de mas de medio siglo en un afan de recrear y preservar la azarosa trayectoria del teatro en la memoria colectiva del habitante de hoy. El vasto proceso incluyo los textos de obras significativas así como estudios críticos, antologías, afiches, programas, vestuario y demás componentes de la farándula para la intelección panorámica y directa de la evolución teatral ante un público amplio. Es de anotar que estos recursos fueron atinadamente enriquecidos por la presencia de veintinueve entrevistas, disponibles en formato DVD, realizada a directores, actores, promotores, dramaturgos y productores. Maria Cristina Lozada, Miriam Dembo, Marta Candia, Omar Gonzalo, Viviana Marcela Iriart, Moises Kaufman (quien actualmente se destaca en New York y cuyas obras le han ganado un Tony), se incluyen en la variada selección de entrevistados. Vale añadir que la muestra subraya asimismo el aporte de notables figuras de origen judío - Elisa Lerner, Isaac Chocrón, Dita Cohen (fundadora del Centro Prisma), entre muchos más - quienes de una u otra forma han descollado en su tenaz esfuerzo por el devenir del teatro. Así, esta exhibición también logra resaltar las características de inclusión y diversidad coexistentes a lo largo de la historia de este teatro. De ahí también que su contenido abarque, a la par que las mas relevantes figuras de origen venezolano, a aquellos extranjeros -como Alberto de Paz y Mateos (España), López Obregón (México), Juana Sujo (Argentina), Horacio Peterson (Chile) y otros tantos, que determinaron los derroteros del acontecer escenico con sus perspectivas innovadoras.

Maria Clo Reina, integrante del equipo de investigación, indica que el texto central de la Muestra fue escrito por Javier Vidal quien acertadamente selecciono los títulos de cada periodo realizando un juego de palabras con los términos Libertad, Dictadura y Palabra para dejar entrever lo que la mencionada escritora interpreta como "el momento político del país y el compromiso del artista con su contexto y consigo mismo." La publicación del texto UNA HUELLA...esta ahora en imprenta y estará disponible al publico en general. Rebeca Lusgarten, encargada de las entrevistas, textos e investigación, es otro nombre digno de encomio así como el de museógrafo J. F. Canton que diseñó los dispositivos donde se despliega la Muestra. El diseño grafico estuvo en las manos hábiles de Alan da Costa y Kevin Wasiman.

Si la calidad de los componentes recopilados por este equipo es impresionante y novedoso, no es menos loable el énfasis del proyecto en su totalidad que conlleva el realzar la libertad de creación, la pluralidad y el respeto a las minorías, características presentes en las hondas huellas dejadas por los hacedores del teatro venezolano.

Susana D. Castillo
San Diego State University
Publicado en Latin American Theatre Review, Fall 2008
https://journals.ku.edu/index.php/latr/search/results
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